Evento realizado no Teatro Castro Alves, na Bahia, reúne profissionais para debater sobre diversidade e levanta reflexões sobre identidade e valor humano

Qual é a tua cultura? Qual é a sua história? Quem é o seu povo? Cada um com a sua crença. Modo de pensar, de viver, de falar. Cada qual com seu jeitinho mineiro, carioca, paulista ou baiano. Em cada parte do Brasil, um povo. Em cada terra, uma identidade. Uma história. Uma vida. Afinal de contas, quem somos? Por que somos como somos? O evento Inspira BB que aconteceu em setembro no teatro Castro Alves lá na Bahia, trouxe essas e outras reflexões. Um encontro para falar de gente, de raça. Um momento para falar sobre o povo.

Há muitos e muitos anos Carmen Miranda já questionava em suas músicas: o que é que a baiana tem? “Tem torso de seda tem. Tem brinco de seda tem. Tem bata rendada tem. Tem saia engomada tem. Tem graça como ninguém”. E para você, o que a baiana tem? O Banco do Brasil acreditou que eles tinham muitas histórias para contar e experiências para compartilhar. O inspira BB foi muito isso. Reunir a riqueza e pluralidade da cultura brasileira e reuni-los em cima de um palco. Para dar voz aqueles que não tem voz. Para servir de microfone para quem bate no peito e defende que é gente como a gente. Para todo mundo que queria colocar para fora tudo aquilo que guardava no peito. Foi um evento do povo para o povo.

As histórias estavam ali, na mente e no coração de cada funcionário do banco, cada artista ou palestrante que se apresentaria a seguir. Mas eles também precisavam de um local para contar tudo isso. Aqui, a BUENO Arquitetura Cenográfica entra no enredo, a pedido da produtora Tevezê. O teatro Castro Alves que já é rico em beleza precisava ficar ainda mais lindo. Precisava ganhar cor, formato e vida. Diferente de outras situações em que a BUENO era responsável pela idealização do cenário, dessa vez, teve também uma responsabilidade a mais. Ficou responsável por coordenar as equipes locais de produção, dos cenários e instalações. Tempos e movimentos em cima do palco. Intervenções cenográficas e artísticas que ganhavam forma e volume em questão de minutos. Tudo tinha um local certo para ficar, ser, estar.

Cada elemento cênico foi pensado pela equipe da TRIP para complementar as falas e as mensagens a serem passadas. O elemento árvore, que está sendo utilizado em todas as edições, apareceu dessa vez de forma bidimensional, com inserções de texturas. Surgindo e desaparecendo de cena, dando movimento e vida a cada ação. As peças aéreas que mimetizam ladrilhos hidráulicos, preencheram o espaço aéreo, complementando a cena com a brasilidade em evidência.

Para a arquiteta e cenógrafa responsável pela entrega do projeto, Leila Bueno, foi uma experiência estimulante. “ Eu sempre acho que a cenografia pode servir de palco e dar voz para aqueles que nem sempre tem a oportunidade de falar. Foi isso que nós fizemos lá literalmente. Todos os elementos da arquitetura cenográfica serviram de apoio para o local ganhar vida e os palestrantes conseguirem expor suas percepções e depoimentos. Ouvi e vi coisas que me arrepiaram. Foi realmente um evento tocante que fico muito feliz por ter feito parte”, conta emocionada.

A identidade brasileira está dentro de cada um de nós que carrega verdade e encontra força mesmo nos momentos mais difíceis, para dar a volta por cima e nunca desistir de ser feliz. Não por acaso, nosso Brasil guarani é um dos países de pessoas mais amistosas do mundo. Respeitar o ser humano, é respeitar a diversidade. É entender que cor da pele não nos torna melhores ou piores. E que de, alguma forma, somos todos iguais.

Foi assim que diversos profissionais subiram ao palco para compartilhar suas histórias, seus sentimentos, suas culturas. Teve música, orquestra, dança, arte. Teve um povo com a oportunidade de contar um pouco de si. Mais que um evento, foi um movimento social com o objetivo de levantar a bandeira da igualdade e valorizar o ser humano. Na sua essência e na sua totalidade.