Por Leila Bueno

Cenografia vai muito além daquelas definições tradicionais que classificam como arte ou ciência de projetar e instalar cenários para espetáculos ou eventos. Eu entendo que cenografia é algo experimental e extremamente sensorial. Consiste em dar sentido, conceito e vida a um determinado projeto. Eventos são só efêmeros quando o seu objetivo não faz sentido às pessoas. Por isso acredito tanto que faz parte da arquitetura cenográfica proporcionar uma experiência. Despertar sentidos. Abrir os olhos para o novo, o desconhecido.

Falar em cenografia de qualidade sem se preocupar com os três pilares da sustentabilidade (social, ambiental e econômico), é, no mínimo, uma atitude antiética e irresponsável. Como fabricantes desse material em larga escala, temos a obrigação de pensar em um processo de logística reversa, ou seja, de que forma esses utensílios podem ser reutilizados.

Seja na cenografia para eventos, assim como outros modelos de montagens de curta duração como peças teatrais, carnaval, festas infantis e todo universo que utiliza adornos ou matéria prima, uma quantidade significativa de lixo é gerada. Isso não pode ser deixado de lado. Devemos nos preocupar e procurar soluções assertivas para resolver esse problema.

Pensando em contribuir para o meio ambiente, também nas vertentes social e econômica, é que nós aqui da Bueno utilizamos de inteligências multidisciplinares afim de desenvolver projetos com cenários modulares e reutilizáveis. Com olhares atentos, sensíveis e uma constante pesquisa, podemos criar recursos para o reaproveitamento do lixo cenográfico.

Como principais desafios da cenografia sustentável gosto de destacar dois pontos: conscientização e ação. Primeiramente, as empresas precisam entender que são responsáveis pelo lixo que produzem e, assim por dizer, precisam dar um destino para isso. O segundo momento consiste em justamente ter uma atitude, fazer alguma coisa. Não adianta só falar em sustentabilidade, temos que praticar com projetos reutilizáveis e que proporcionem benefícios ao meio ambiente.

Por essas e por outras que insisto em dizer o quanto é importante levantarmos esse tipo de bandeira. Conversar, trocar ideias, levantar reflexões sobre de que forma podemos transformar lixo em algo reutilizável? A conscientização, cultura e concepção desse tipo de projeto ainda é muito tímida entre os empresários. Porém, nos preocupar com o destino desses resíduos, desenvolver projetos e colocá-los em ação, é o que fará a diferença em nosso mercado de atuação. É possível fazer, mas exige um esforço consciente, engajado e feito de forma coletiva. O caminho é sempre esse: construir juntos.

Eu já dei o primeiro passo. Você me acompanha?