Com a segunda edição intitulada Edição de Inverno, evento levanta reflexões sobre o ciclo dos alimentos na natureza e conta com projeto de arquitetura conceitual

A gastronomia esteve presente em cada prato preparado cuidadosamente por chefs talentosos de vários cantos do Brasil. O meio ambiente ganhou forma, teve cor e design em cada pedaço de madeira e matéria-prima dispostos de forma arquitetônica. A agricultura estava representada pelos próprios agricultores quando deixaram expostos e colocaram a venda cada um de seus produtos. Com uma proposta de levar aos consumidores uma reflexão sobre o ciclo do alimento na natureza, a Feira Viva Edição de Inverno, teve a sua segunda versão no último sábado, (12/08), no Parque da Água Branca, em São Paulo.

Um verdadeiro convite para sentir as mais variadas sensações. A Feira fazia uma viagem pela história da agricultura, desde os tempos primórdios até os avanços da tecnologia. Em cada solo, um povo, um território brasileiro. Territórios esses que, aliás, foram divididos em 6 partes com seus respectivos chefs de cozinha. Terra Preta de Índio, Tradição Nordeste, Caiçara, Caipira, Vales e Veredas, Campanha Gaúcha. Por cada estação que você passava os seus sentidos eram apurados. Paladar, olfato, tato, visão e audição. Todos sendo testados o tempo inteiro.

Foto: Renato Bueno

Foto: Renato Bueno

O alimento, a planta, a madeira. Tudo é da terra. Tudo vem da terra. Por isso a preocupação tão grande com a natureza. Por isso um evento para conscientizar as pessoas que todos somos responsáveis, de alguma forma, por aquilo que consumimos. Produtores ou agricultores. Quem planta, colhe ou come. Todos dependem da natureza e, por isso mesmo, é tão fundamental proteger os nossos recursos naturais.

Para a arquiteta e sócia-diretora comercial da BUENO, Leila Bueno, realizar esse tipo de projeto rico em detalhes, mas sem causar qualquer tipo de impacto no meio ambiente na qual estava inserido, foi desafiador. “Estamos acostumados que a arquitetura cenográfica tem o papel de provocar experiências. Mas, neste caso, a Feira Viva era um convite para experiências por si só. Por isso mesmo, teve tanto conceito e design, mas de formas sutis. Assim as pessoas ficariam em dúvida sobre o que era intervenção cenográfica e o que era parque. Essa foi a grande sacada”, explica.

Foto: Renato Bueno

Foto: Renato Bueno

Os mobiliários foram cuidadosamente idealizados e produzidos por madeiras nativas de floresta plantada. Guanandi, Louro pardo e Jequitibá rosa estiveram presentes no design das barracas, nos balcões dos bares, nos bancos que as pessoas sentavam e nas mesinhas que ora ou outra alguém encostava sua água ou cerveja para refrescar. Apesar da edição ser de inverno, todos foram presenteados com um céu azul e um sol de 25 graus.  Uma arquitetura muito rica em conceito, rústica ser ser country, elegante sem ser sofisticada e, principalmente, preciosa em matéria-prima e conceito.

Segundo a agrônoma e uma das idealizadoras do projeto, Keila Malvezzi, o trabalho de arquitetura cenográfica serviu como materialização para todas as mensagens que gostaríamos de passar. “ O escopo da Feira Viva levanta uma reflexão muito importante sobre transformação de cadeias de consumo e comportamento. A BUENO conseguiu desenvolver um ambiente cenográfico, útil, conceitual e totalmente funcional utilizando peças com madeiras produzidas pelos próprios produtores da feira. O que serviu de reforço por cuidados com os nossos recursos naturais de forma geral”, afirma.