Entre todas as discussões na era da globalização sobre o equilíbrio do nosso planeta, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20),  a declaração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através do Pacto Global, a Agenda 2030 com seus 17 objetivos para transformar nosso mundo, é imprescindível  que a atividade eventos e todos seus desdobramentos, esteja na pauta da sustentabilidade corporativa.

Destaca-se na pauta, o tema meio ambiente e os lixos gerados pela arquitetura efêmera e o quanto as empresas contratantes estão direcionando seus olhares para isso. Com uma economia fragilizada como a nossa, tantos parâmetros, referências, métodos e processos sendo revisitados, com todo jogo de cintura que a comunidade corporativa está precisando para “se” sustentar, debater sobre resíduos, destinação da matéria-prima que será utilizada e transformação desses materiais, não tem entrado como item nos briefings dos eventos, ficando banalizado e distante das discussões estratégicas do futuro do planeta.

Trazer a luz essa discussão é nossa obrigação, pois valoriza nossa atividade e expõe projetos e ações que estão em andamento por várias empresas de cenografia e que ainda não são absorvidos e nem valorizados pela comunidade corporativa contratante, além de não ter um valor no momento da escolha dos stakeholders.

Sabe-se que muitas organizações ainda precisam ser conscientizadas a respeito da importância do comportamento sustentável e como temos um projeto com esse fim na BUENO Arquitetura Cenográfica, estamos desbravando alguns caminhos, mas ainda é muito pouco absorvido, pois raramente existem KPIs focados nessa temática no momento das avaliações do projeto de arquitetura efêmera. Quando apresentamos a proposta do projeto de sustentabilidade criativa chamado Puf Puf, notamos o deslumbre e o encantamento das pessoas que recebem, mas nitidamente é algo que fascina a “pessoa física” dentro do contexto corporativo e não a “pessoa jurídica”, o que é muito antagônico, pois quem decide são pessoas, entretanto percebemos o quão frágil ainda são os processos adotados pelas empresas nessa área de eventos.

Recentemente esse projeto da  Puf Puf foi citado como um diferencial na cadeia de fornecedores no artigo da Líbia Macedo Que Cor você quer para seus eventos?, na qual tratava sobre a sustentabilidade em eventos e como as contratações e ativações poderiam ter valor agregado e menos impactos se algumas decisões fossem tomadas utilizando outras lentes e comportamentos.

De fato, esse deveria ser um movimento de mão dupla na qual as empresas contratantes buscassem e valorizassem projetos e empresas que fomentem a cultura do desenvolvimento sustentável e deem solução para o “lixo” da atividade da arquitetura efêmera e por outro lado as empresas de cenografia, as montadoras, as empresas de arquitetura promocional e arquitetura cenográfica, de fato, desenvolvessem projetos que tratam o lixo como uma matéria-prima rica de possibilidades e que adotem a logística reversa como parte do processo como forma de receita para ambos os lados. Somente com esse ciclo conseguiremos nos posicionar de forma mais efetiva e valorizar toda a cadeia produtiva de eventos, inserindo a atividade da arquitetura efêmera na pauta da sustentabilidade corporativa definitivamente.

No entanto, sabemos que dentro das corporações o que tem maior peso é o lucro e com isso a escolha pelos fornecedores mais “baratos” é inevitável. Essa onda de sustentabilidade vai, de fato, pactuar com o capitalismo (mesmo que seja o capitalismo sustentável)? O que temos visto e sentido na pele é uma depreciação generalizada da matéria e dos serviços, onde o foco no resultado e rentabilidade sobre o projeto leva a uma destruição de ideologias e crenças, na qual o preço (e não o valor) é o que tem maior peso e para manter um projeto de logística reversa requer investimentos e principalmente pessoas envolvidas. “O momento é de inovar, prototipar projetos bem fundamentados na ética, na integridade e também na sustentabilidade (econômica, social e ambiental)”.

Particularmente falando, além de simpatizar com profissionais e empresas que começam com um leve movimento nesse sentido, eu reforço o quanto precisamos olhar para esse tema com empatia. Como profissional atuante no mercado de eventos, penso que trabalhar a questão da sustentabilidade nos três pilares é capaz de benefícios inimagináveis. Para todos os públicos envolvidos. Ninguém perde com isso. Ou será que tem coisa melhor do que além de fazer um incrível evento corporativo, visualizar o produto que seria lixo ser transformado em arte?.

Leila Bueno é arquiteta e cenógrafa. Sócia-diretora Comercial na empresa BUENO Arquitetura Cenográfica e presidente da ABRAFEC (Associação Brasileira dos Fornecedores de Cenografia).