Manifestar minha percepção sobre 2017  é mais uma missão que recebi e me permiti. Experimentos com as palavras e seus significados tem sido bem prazeroso e um tanto divertido. Prazeroso pelo simples fato de fazer uma das coisas que mais tem me dado prazer ultimamente que é o ato de escrever. Divertido porque tudo que fazemos com prazer nessa vida, é uma bela diversão.

O ato de escrever tem me dado permissões até então inalcançáveis, traz uma certa responsabilidade, admito, mas traz também uma liberdade e uma forma de expressão inquestionável, pois escrevo meus sentimentos, os momentos que vivenciei, os que assisto a minha volta, os que observo, mas principalmente os que me tocam e me fazem crescer.

Para escrever sobre um ano que se finda, a primeira avaliação é de que tivemos ganhos e perdas, como tantos outros, mas fundamentalmente um ano de muitas conquistas, das mais intangíveis e imateriais. Ano de sentimento à flor da pele, no qual fomos subjugados a situações que não nos caberiam em anos anteriores, então,  2017 veio para colocar muitos paradigmas à prova. Foi um ano de escolhas decisivas, mudanças de protocolos, questionamentos mais fundamentados e menos superficiais, ano que descobrimos na essência a força da palavra subsistência. Ano que testemunhamos escolhas de muitas pessoas importantes e desvios de rotas, que não faríamos em outras épocas.  

2017 veio para nos amadurecer e nos desamarrar de “pré-conceitos”. Ano do desapego. Ano do feminino, de tragédias, ano da desmaterialização, ano de óbitos, sim, mas de nascimentos, renascimentos e ressurgimentos.

Ano que o menos é mais, de desapegar, do desaprender e reaprender. Ano do amor ao próximo, de discórdias, mas também da paz. Ano de readequar, ano da simplicidade, ser mais do que ter. Ano que sorrimos e choramos como sempre, mas com conversões sólidas. Ano de voltar às origens, ano que estimulou a extrema criatividade. Ano de colocar a cara a tapa, de trabalhar muito mais, produzir mais, ano que fomos levados ao limite.

Ao mesmo tempo, um ano que mostrou que nossa ideia de limite estava muito aquém dos reais limites que somos capazes de alcançar. Do que devemos temer, se temos a pretensão de sermos ativos uma vida inteira? Questionar nossos limites foi o grande aprendizado de 2017.

Somos filhos do Divino que nos interliga através de muita energia e força, e é por essa força absoluta que nos movimentamos.

Ano de muitas oscilações, incertezas, aperfeiçoamento e maturidade. Buscar e conquistar novas descobertas, sem perder a graciosidade que a vida nos oferece. Achar graça tem sido mais honrado nas situações mais desprezíveis que os homens com poder tem nos submetido.

Aprendemos ser comedidos e olhar para o lado, e cada caminhada foi determinante para descobrirmos que não estivemos sozinhos nesse ano, nem nunca. Um ano tudo de bom, rico nos seus detalhes, um ano para não esquecer jamais. Que nos tornamos mais nós, mais humanos.

Que venha 2018, estarei por aqui, a observar, viver, sentir e escrever!

Feliz ano novo para todos vocês, meus queridos. Boas festas e até logo.

Leila Bueno é arquiteta e sócia-diretora comercial na BUENO Arquitetura Cenográfica *