Já respondi muitas vezes a pergunta: “O que te inspira”?

A vida me inspira! Faço sinapses com quase tudo, em todos os cantos, situações, busco referências através dos objetos, pessoas, lugares, cores e formas.

Porém, inspiração transformadora, das que me fazem transbordar de emoção, é a adquirida nas viagens!

O fato é que em viagem, nos permitimos contemplar num ritmo completamente diferente do cotidiano, nos permitimos investigar, questionar, avaliar e refletir, colocando conceitos predefinidos à prova, colocando nossa ignorância em xeque-mate!  Passar por experiências com outras culturas, nos coloca em posição de investigadores, nos obriga a questionar nossos limites e limitações que nem sabíamos que existiam.

Lugares mais antigos como o Egito, por exemplo, além de  inspirar, também oprime nos nossos limites de entendimento e nos revelam o quão diminutos somos em relação ao universo.

Convém no entanto lembrar que inspiração está, na maioria das vezes, no detalhe e que não podemos nos perder na observação e muito menos deixar de nos preencher com eles. Para isso, é importante estar atento e questionar interminavelmente todos os “porquês” de cada experiência contemplada.

Usar os 5 sentidos, vivenciar não somente o que a visão permite, mas também o tato, o olfato, a audição e o paladar.  Tudo isso é muito importante. É impossível esquecer da primeira vez que ouvi a chamada para rezar em uma mesquita, ecoando pelos seus minaretes ou da cor das águas das lagoas em lençóis maranhenses. Como não ter registrado cada vez que lembro e sinto na hora o aroma das especiarias no armazém de Assuã, no Egito. Como não se emocionar quando vi de perto uma tela de Vincent Van Gogh, quanto me fez sentir diminuta no esconderijo de Anne Frank, ou ainda,  como me senti grandiosa com as batidas e ritmos do boi Caprichoso. Poderia ficar horas aqui descrevendo situações que experimentei e hoje me complementam como profissional e principalmente como ser humano.

Dia desses, ouvi algo que me marcou: “somos do tamanho das nossas preocupações”. Adorei, adotei para minha vida. Considerando que a palavra preocupar, significa se pré ocupar, dimensiono o meu tamanho: do tamanho do Universo, ou infinito!

Me identifico muito com isso, pois estou e sou constantemente pré ocupada com tudo a minha volta, como se eu tivesse um aro me contornando e em plena expansão, me envolvendo, contagiando, me completando, me ocupando.

Busco continuamente estar preocupada,  através das minhas vivências cotidianas e principalmente nas viagens, em decorrência da experiência, não somente com fatos e coisas, mas principalmente com as pessoas.

Faço da minha vida, uma bagagem sem tamanho, cheia de influências, de pedaços de todos os lugares que vivo, cheia de experiência, cheia de preocupação!

Leila Bueno é sócia-diretora comercial na empresa BUENO Arquitetura Cenográfica