Uma honra e muito inspirador escrever sobre o dia do arquiteto,  num voo a caminho de Brasília!

O dia do arquiteto é celebrado na data de nascimento de Oscar Niemeyer, o idealizador da nossa capital federal, que, aliás eu acho belíssima!

Quando fui convidada (para não dizer desafiada) a escrever sobre as dores e as delícias de ser arquiteto, iniciei uma investigação sobre o tema com colegas de profissão e as respostas foram decisivas para que eu pudesse compor esse texto. Não me surpreendi por ter recebido mais relatos sobre dores do que delícias. O que acho perfeitamente aceitável, já que como tantas outras profissões, arquitetura está banalizada e perdendo suas raízes.

Para Tatiana Castro, arquiteta de Araraquara, a grande delícia está na possibilidade de idealizar espaços que serão ocupados por pessoas e preenchidos por momentos e histórias. “De lugares empoeirados e bagunçados que são os canteiros de obra, nascem edifícios que serão preenchidos de sons, aromas e vida”, conta.

Camila D’ Ambrósio, arquiteta de Ribeirão Preto, acredita que a realidade está distante da ideologia e que dói abrir mão de algumas ideias. “Muitas vezes precisamos abandonar soluções pensadas inicialmente, colocando em dúvida o processo de criação e conceitos genuínos. Também dói pertencer a estatística de banalização da profissão. Temos que nos submeter em algumas soluções mesmo contrariadas, mas gosto de ser otimista, pensar que é momentâneo e vai passar”, explica.

Para Katia Correa, arquiteta do Sul da Bahia, a dor está acima da delícia, pois tem vivenciado situações na qual fica muito nítido o quanto nossa área está desvalorizada. “Tem muita discrepância nas atribuições e o real valor do arquiteto. Estão fazendo confusão na hora de contratar um arquiteto, designer ou engenheiro. Acho que está faltando união dos profissionais e mais respeito com as atribuições de cada um”, comenta.

Para Ricardo Bueno, estudante de arquitetura (já é nato ao meu ver),  a arquitetura nos dá a chance de realizar sonhos. “Tanto para quem cria como também para quem usufrui.  É uma profissão que tangibiliza e concretiza, mesmo que seja somente no papel”, afirma.

E agora é minha vez! Atuo em São Paulo e como todo arquiteto, estou atenta o tempo todo, buscando conteúdo, repertório e inspiração para desenvolver sempre o melhor na área onde atuo: Arquitetura Cenográfica.

Nas idas e vindas entre as dores e as delícias, enfatizo uma dor, penso que seja uma verdadeira dor de cotovelo!  Nessa busca de conteúdos, tive duas experiências na qual me deparei com arquitetura sendo a protagonista na história da humanidade – Civilização Inca e Civilização Egípcia.

É impressionante na história humana como essas civilizações valorizavam a arquitetura e o arquiteto, toda organização e gestão de governo eram baseadas no direcionamento de um arquiteto. Os imperadores tinham sempre um profissional da arquitetura ao seu lado, como “planejador” de espaços e de fluxos.

Todo plano de ocupação era idealizado juntamente com um arquiteto. A importância do arquiteto ia além do projeto de edifícios, estava nos detalhes, o melhor aproveitamento da luz natural, da ventilação, circulação e acessos, ergonomia, segurança, estudo dos ventos, do sol, além de todo conceito, função e plástica.

Sem falar no desenvolvimento de novos materiais e tecnologias da construção, o melhor uso da mão de obra e técnicas construtivas voltadas para o ser humano, entre tantas outras atribuições que eu poderia ficar descrevendo aqui.

A delícia da arquitetura ao meu ver é o quanto ela abre portas, nos permite transitar em mundos complementares. Fornece subsídio estético para atuarmos em muitos mercados com passe livre! Deslocamentos pela arte, design, moda, cenografia, entre tantos outros. Eu levanto a bandeira que a arquitetura é uma libertação, e acima de tudo, uma grande paixão.

Feliz dia do Arquiteto!

* Leila Malvezzi Bueno é diretora Comercial na empresa BUENO Arquitetura Cenográfica. Possui mais de 25 anos de atuação nas áreas do Marketing de varejo,  comunicação visual e cenografia para eventos corporativos.