Porque arquitetura, design e cenografia caminham lado a lado

Atualmente, mais do que nunca, associar arquitetura com arte é uma premissa básica. Se o primeiro serve para estudar e criar a disposição de lugares e móveis, desenvolver elementos que possam compor o meio ambiente com funcionalidade e valor social -, o segundo tem relação com a forma que se enxerga o mundo.

Não se trata apenas apenas da estética, vai muito além. Representa a percepção por meio do intelecto, o que você pensa, sente e como é impactado por determinada obra de arte ou projeto arquitetônico. Arte e arquitetura caminham juntas. Se encontram, se cruzam, se complementam entre quadros, paredes, móveis, ruas e conceitos.

O espaço da arte

O conceito de arte não é concreto pois abre espaço para interpretações distintas. No geral, os especialistas afirmam que a interpretação de uma obra de arte depende muito da relação e da visão de mundo que determinada pessoa tem. Para Carlos Brandão, especialista em Arte e Cultura Barroca, a compreensão de uma obra precisa ser necessariamente uma via de mão dupla. “O intérprete só compreende uma obra quando ela o compreende”, explica Carlos.

O final da postura mimética, que utiliza a semelhança de certos seres vivos com o meio que habitavam, abriu espaço para novas possibilidades. A arte já não precisa estabelecer uma conexão com o mundo real ou representar algo da natureza e do cotidiano, mas sim, ir muito além da realidade.

O espaço da arquitetura 

A arquitetura moderna tem aberto novos caminhos para os ramos de construção civil. Se é tarefa do arquiteto a criação do meio ambiente construído para o homem, é esperado que a responsabilidade social e histórica também aumentem. Afinal de contas, hoje em dia, a criação de  espaços e objetos diferenciados sintetizam a experiência de quem cria e vivencia determinado projeto.

Quando algo é criado, não é por acaso ou de forma aleatória. Existe um estudo, um conceito, um motivo por trás daquilo. Na linha tênue entre representação e obra construída, o resultado final precisa passar uma mensagem, algum tipo de informação e transformação.

O que a cenografia tem a ver com isso?

Se antigamente entendia-se que cenografia era desenhar, representar, ambientar paisagens ou locais, hoje é possível entender e ir muito além disso. Falar de arquitetura cenográfica e, por assim dizer, sua relação com a arte é falar de despertar sensações e promover experiências.

Para Leila Bueno, arquiteta e especialista em Design de Interiores e Iluminação, um projeto de arquitetura cenográfica precisa ser pensado e executado para ir além do impacto visual. “Precisa interagir, emocionar, provocar sensações e ser inserido e sentido na realidade de cada um que vivencie o ambiente. Me arrisco em dizer que a cenografia hoje é a responsável, juntamente com alguns recursos de interatividade e ativações, por transformar experiências únicas em momentos inesquecíveis.É isso que fazemos na BUENO Arquitetura Cenográfica”, conta Leila.