Entende-se por sinestesia a junção de diferentes sentidos como, por exemplo, audição, visão, paladar, olfato e visão. É possível dizer então que arquitetura ou design sinestésico envolve a criação de espaços ou produtos que possam ser experimentados por pessoas. Ou seja, combinar e explorar sentidos como um convite para despertar as mais diversas sensações.

Como fazer isso?

Basicamente precisamos entender dois pontos importantes. Primeiro, os materiais possuem cores, aromas, texturas, sons e gostos próprios, capazes de transmitir impressões ao ser humano. Segundo, os usuários recolhem essas informações por meio das sensações, ainda que imperceptivelmente.

A partir dessa compreensão, é possível iniciar o processo criativo, sempre auxiliado por questionamentos importantes, tais como: quais as sensações que quero despertar no usuário? O que quero que ele sinta primeiro? Quero que ele percorra um trajeto específico? Nesse sentido, é importante lembrar que a combinação de materiais, formas e outros aspectos do projeto devem primar pela simplicidade, pois isso potencializa a percepção dos principais elementos sensoriais ao eliminar os excessos de ruídos que podem atrapalhar. Menos sempre é mais.

Para o sócio-diretor de criação da BUENO Arquitetura Cenográfica, Ricardo Bueno, é possível passar mensagens subliminares por meio de analogias. “No case da Galeria de Negócios Imobiliários, por exemplo, foi criada uma cenografia que não era efêmera. A galeria existe e está lá, ao contrário de outras caracterizações que têm um prazo de validade. “Quando as pessoas contemplam um lançamento imobiliário, é como se realmente estivessem apreciando obras de arte”, conta Bueno.

E o público? Será que esses projetos têm aderência?

Cada vez mais o público busca não só um projeto bonito de arquitetura e cenografia, mas que também seja possível proporcionar experiências. Ricardo Bueno comenta que é muito importante entender o público para quem você vai falar. “Eu acredito muito que o primeiro passo é me colocar no lugar do outro, ou seja, praticar empatia. Através da arquitetura cenográfica eu preciso passar uma informação, levantar uma reflexão ou provocar algum tipo de provocação. Um evento é efêmero se não fizer sentido às pessoas. Ou seja, precisa mexer, impactar, despertar sensações.

Rodrigo Silva tem 27 anos e participou da Brasil Promotion 2016, maior feira de marketing promocional do país. Encantado com a cenografia do evento (realizada pela BUENO Arquitetura Cenográfica), ele garante que foi levado por uma verdadeira viagem ao mundo dos sonhos. “Nas nuvens eu tive a sensação de flutuar, no fundo da piscina dá para ter noção do quão imenso é o mundo lá fora. As bolhas na entrada são um convite para caminhos desconhecidos e os tubos com cromoterapia e aromas nos remetem a um ponto de paz e equilíbrio em meio a correria do dia a dia”, conta Rodrigo.

Afinal de contas, quais são os benefícios da arquitetura sinestésica?

Todo e qualquer projeto de arquitetura cenográfica tem por objetivo principal levar algum tipo de informação técnica para o público-alvo. Não basta ser só bonito, precisa ser funcional. Mas, principalmente, precisa mexer com o inconsciente e despertar sensações. É claro que isso tem muita relação com a personalidade de cada um. Alguns são mais racionais, outros são mais emotivos. O importante é que todos sejam envolvidos de alguma forma e que um projeto ao sair do papel possa ganhar conceito, movimento e vida. Afinal de contas, sinestesia é sentir e a vida é feita daquilo que sentimos.